16/10/2013

Aproveitar cada segundo


Olá pessoas meu nome é Amanda Kennedy, tenho 16 anos e moro no Hospital Santa Maria. Eu vim parar aqui há dois anos quando descobri que tinha um tumor na cabeça, sinto dores frequentemente por isso não posso voltar para casa e a qualquer momento esse tumor pode estoura e tudo estará acabado para mim. Mas eu não me importo comigo e sim com a minha mãe, ela não terá ninguém se eu morrer. Meu pai nos abandonou quando eu tinha cinco anos, eles brigavam muito e decidiram se separar.
Minha mãe é professora e dá aula para crianças do jardim de infância na parte da manhã e passa a tarde aqui comigo, a noite ela vai pra casa preparar a tarefas e cuidar da nossa casa. Sinto tanta falta da minha casa, de levar minhas amigas para lá, uma vez ou outra algumas amigas veem me visitar, elas ficaram um pouco apavorada depois que raspei a cabeça, mas eu não me importo porque aqui no hospital a enfermeira Ruana me ensinou vários looks com lenços e a cada dia eu uso um.
Há oito meses eu conheci um menino que chegou aqui no hospital e ele se chamava Max, ele tinha o mesmo problema que eu. Ele chegou aqui inconformado e era mal educado com os enfermeiros e médicos, nunca dava um sorriso, seus pais viviam tristes por ver o filho naquele estado. Aqui no hospital não há nada pra fazer além de dormir, ver tv e ler. Então resolvi tomar algumas providências e ir conhecer o novo bambambã do pedaço, que estava deixando todos descabelados e preocupados. Quando cheguei no quarto dele me assustei, ele era estranho, não que fosse feio e tal, mas era mal humorado e estava com um bico que quase batia na parede, talvez com um sorriso ele ficasse mais bonito.
Confesso que não foi fácil amansar a fera, mas com o tempo eu pude mostrar a ele que existe coisas piores na vida e que ali havia crianças com menos chance de vida e que nem por isso deixavam de viver e de aproveitar cada segundo que se passava. Um dia ele pôde entender tudo isso e muito mais e passou a ir comigo visitar outros pacientes, nós fazíamos visitas diariamente e todos adoravam. Muitos médicos nos agradeciam porque alguns pacientes estavam reagindo melhor às doenças e estavam de certa forma mais alegres.
Pena que nem toda história tem finais felizes, alguns meses depois o Max teve uma recaída e acabou tendo que fazer uma operação delicada de última hora e que as chances de sobreviver eram de 1%, então a família teria que decidir se arriscariam ou se simplesmente deixariam que a morte viesse. Eles não tinham como escolher e então o Max fez a escolha apesar de não poder responder por si, mas eles estavam falando da vida dele, era a vida dele que estava em jogo, então ele decidiu não fazer a operação. Seus pais ficaram surpresos, mas respeitaram a vontade do filho. A enfermeira Ruana me levou até o quarto dele, ele estava abatido e eu fiquei um tempo com ele, eu já poderia imaginar que seria a nossa última conversa então quis me despedir.
- Max como você está?
- Como acha que estou Amanda? Eu estou morrendo. Morrendo.
- Eu sei disso, não vim aqui para lhe consolar, mas sim para me despedir. Desculpe se estou sendo um pouco sincera demais é que você sabe o que vai acontecer e você escolheu assim.
- Tudo bem não se preocupe, eu sei o que estar por vir. Gostaria de lhe agradecer por ter me mostrado que mesmo com a vida por um fio eu ainda teria chances de ser feliz.

- Você não precisa agradecer, eu gosto ver as pessoas felizes. Quero que saiba que talvez não demore muito para nos encontrarmos novamente seja lá onde for. Eu sei que meus dias também devem estar contados. Fique em paz e em breve nos encontraremos.
Ele acenou e então eu fui para o meu quarto, sempre fui forte, mas não pude me conter e chorei muito porque estava perdendo um amigo muito importante que mesmo conhecendo há pouco tempo pude o entender melhor que seus próprios pais.
Uma hora depois ouvi choros pelos corredores já podia imaginar o que tinha acontecido, foi então que a Ruana entrou em meu quarto com os olhos lacrimejando e disse: - Ele se foi Amanda.
Eu sempre estive pronta para o pior e dali pra frente teria que preparar minha mãe para uma grande perda.
Tento mostra-la como as coisas iriam ser sem mim, mas ela se recusa a tentar imaginar e cai em prantos, acho que ela só vai poder entender quando eu realmente se for.






                                                                                          -Larissa Farias

6 comentários:

  1. Que realidade triste por mais que saibamos que um dia chega a nossa hora a maioria evita falar sobre o assunto não é verdade?
    http://ivamoraes.blogspot.com

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  2. Ela tem meu nome e minha idade 'o' Amanda, 16! Que triste historia...
    http://malibu-summer.blogspot.com

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  3. Que lindo e triste. Eu já vuma história parecida. Parabéns. E concordo com a Iva, isso só mostra que quando a hora chega, não tem como evitar, ela vem de qualquer maneira.

    Beijinhos,
    Nina
    www.storytimestoryteller.blogspot.com

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